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[Quarta-feira, Janeiro 18, 2006]
Meu novo blog de cinema:
www.cronicascinefilas.blogger.com.br
Aguardo vocês lá ! Abraços !
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 12:14 PM
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[Sábado, Dezembro 31, 2005]
Os últimos 10 filmes que vi em casa:
Clean (idem)
Dirigido por: Olivier Assayas
O Segredo de Vera Drake (Vera Drake)
Dirigido por: Mike Leigh
Carne Trêmula (Carne Trémula)
Dirigido por: Pedro Almodóvar
Matador (idem)
Dirigido por: Pedro Almodóvar
Ata-me (Átame)
Dirigido por: Pedro Almodóvar
Indochina (Indochine)
Dirigido por: Régis Wargnier
A Morte e a Donzela (Death and the Maiden)
Dirigido por: Roman Polanski
Lua de Fel (Bitter Moon)
Dirigido por: Roman Polanski
Segundas Intenções (Cruel Intentions)
Dirigido por: Roger Kumble
Almas Gêmeas (Heavenly Creatures)
Dirigido por: Peter Jackson
Clean é um belo filme sobre recomeços, sobre as segundas chances que buscamos na vida, com ótimos desempenhos de Maggie Cheung e Nick Nolte. Um drama muito bem construído, maduro e delicado. Um filme a ser descoberto.
O Segredo de Vera Drake é mais um trabalho admirável de Mike Leigh. Um filme bonito, simples e que trata um tema extremamente polêmico de uma maneira incrivelmente serena e imparcial.
Carne Trêmula, Matador e Ata-me são três trabalhos bastante diferentes de Almodóvar. O primeiro é uma pequena obra-prima do diretor, um filme sensível sobre os sentimentos mais profundos do ser humano com um elenco pra lá de excepcional. O segundo me decepcionou bastante. Matador é um Almodóvar menos inspirado, mais preocupado em impressionar do que em contar uma boa história, e o resultado é um filme forçado e mal-feito. E o terceiro é uma deliciosa comédia sobre relacionamentos, mas que difere de outros representantes do gênero justamente devido ao toque de sensibilidade do diretor, que dá uma complexidade maior às histórias contadas em seus filmes. Há ainda excelentes atuações de Antonio Banderas e Victoria Abril. Talvez o único defeito seja o final, que me pareceu um pouco apressado e simplista.
Indochina é um filme muito bem produzido, grandioso e com atores muito bons. Apesar de seu formato excessivamente tradicional, é um filme cheio de emoções e que ganha pontos ao contar uma história pouco mostrada no cinema.
A Morte e a Donzela e Lua de Fel são dois filmaços de Roman Polanski. O primeiro é bastante teatral, com apenas três atores dando tudo de si em cena (Ben Kingsley é quem mais se destaca). O resultado acaba sendo um filme incrivelmente tenso e envolvente. Já o segundo é um interessantíssimo retrato das obsessões humanas e da nossa capacidade de sermos cruéis quando ofendidos. Um filme corajoso e belo, uma experiência difícil porém recompensadora.
Segundas Intenções é uma versão moderna bastante correta de uma história já contada várias vezes no cinema, e cuja melhor versão continua sendo o Ligações Perigosas de Stephen Frears. Não traz nada de novo, mas vale pela curiosidade de ver a saga de Valmont acontecendo nos dias de hoje.
E Almas Gêmeas traz um Peter Jackson bastante diferente de O Senhor dos Anéis e King Kong, revelando sua veia mais intimista num filme bonito, bem atuado e bem escrito e muito controverso.
Melhor: Carne Trêmula
Pior: Matador
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 8:22 PM
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E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven)
Dirigido por: Mark Waters
Ok, com algumas poucas exceções, as comédias românticas são, no soar do gongo, todas iguais: o casal se conhece, não se dá bem no início mas aos poucos vai se aproximando e envolvendo e no final estão perdidamente apaixonados um pelo outro. Outra característica também marcante nas comédias românticas é sua inofensividade. E com E Se Fosse Verdade não é diferente. Os simpáticos Reese Witherspoon e Mark Ruffalo formam o casal da vez nesse filme que, apesar de tentar, sem sucesso, ser um novo Ghost, tem lá seus méritos próprios: E Se Fosse Verdade tem boas piadas o suficiente para deixar o espectador satisfeito e é também banal o suficiente para permitir que o mesmo esqueça tudo o que acabou de assistir assim que sai do cinema. Exatamente como uma boa comédia romântica deve ser.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 2:25 AM
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[Sábado, Dezembro 24, 2005]
Os últimos 10 filmes que vi em casa:
Hotel Ruanda (Hotel Rwanda)
Dirigido por: Terry George
Terra dos Mortos (Land of the Dead)
Dirigido por: George A. Romero
A Intérprete (The Interpreter)
Dirigido por: Sydney Pollack
Old Boy (idem)
Dirigido por: Chan-Wook Park
Um Filme Falado (idem)
Dirigido por: Manoel de Oliveira
A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou)
Dirigido por: Wes Anderson
O Grito (The Grudge)
Dirigido por: Takashi Shimizu
Alien vs. Predador (Alien vs. Predator)
Dirigido por: Paul W. S. Anderson
Dr. Jivago (Doctor Zhivago)
Dirigido por: David Lean
Dogma (idem)
Dirigido por: Kevin Smith
Hotel Ruanda é um belo filme, que faz o favor de mostrar um genocídio que as grandes potências do Ocidente optaram por ignorar. É um filme envolvente, emocionante, forte em muitos momentos e com um desempenho extraordinário de Don Cheadle.
Terra dos Mortos é muito interessante. George A. Romero consegue fazer mais que um filme de zumbis, transcendendo esse rótulo ao expor sua visão quase marxista da nossa sociedade. Crítico, inteligente e extremamente divertido.
A Intérprete é um thriller muito bem construído, com boas atuações de Nicole Kidman e Sean Penn, mas que peca por não trazer nada de realmente novo. Era de se esperar que esses dois grandes talentos se reunissem em um filme mais relevante.
Old Boy e Um Filme Falado são duas obras-primas. O primeiro é um retrato impressionante do ser humano atendendo a seus instintos mais primitivos, incrivelmente bem escrito e dirigido por Chan-Wook Park, com um elenco maravilhoso e com uma das histórias mais impactantes já vistas no cinema. Um filme perturbador, doloroso de se ver, mas, por isso mesmo, genial. O segundo é um painel da sociedade contemporânea brilhantemente pintando pelo diretor português Manoel de Oliveira. Além de ser uma verdadeira aula de História, tem um dos finais mais chocantes dos últimos tempos.
A Vida Marinha com Steve Zissou é mais um delicioso exemplar do "jeito Wes Anderson de fazer cinema". Com piadas pra lá de inteligentes, roteiro inteligente e um elenco incrivelmente afinado, o diretor constrói um divertido painel de relações humanas.
O Grito e Alien vs. Predador são duas grandes bobagens. O primeiro existe com o único propósito de dar sustos e causar medo no espectador, algo que, em determinados momentos, até consegue, mas não uma história propriamente dita e o elenco, liderado pela sempre insossa Sarah Michelle Gellar, é uma lástima. E o segundo consegue ser ainda pior. O tão alardeado encontros dos dois monstros icônicos do cinema não passa de um filme de ação meia- boca, que destrói os conceitos dos personagens num roteiro vazio e sem sentido.
Dr. Jivago é um filmaço, um clássico muito bem filmado por David Lean (como não podia deixar de ser), com um belo elenco e com uma história que envolve o espectador, fazendo com que a exageradamente longa duração do filme não se faça sentir tanto. Uma linda história de amor passada durante um dos acontecimentos mais importantes e fascinantes do século XX, a Revolução Russa.
E Dogma é um filme bastante engraçado de Kevin Smith, que dá uns cutucões bem dados na Igreja Católica e nas religiões em geral mas que acaba não sendo tão bom quanto prometia. Mas não deixa de ser divertido pra caramba.
Melhor: Old Boy
Pior: Alien vs. Predador
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 2:56 AM
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[Terça-feira, Dezembro 20, 2005]
King Kong (idem)
Dirigido por: Peter Jackson
Peter Jackson é um apaixonado por cinema. O que ele conseguiu com O Senhor dos Anéis, tanto financeiramente quanto em matéria de prestígio, deu a ele o direito de fazer o que bem estendesse da sua carreira. Jackson poderia dar uma de James Cameron e sair de cena, se retirar para curtir o sucesso. Mas não. O diretor ama o cinema e após realizar o sonho de levar a obra de J. R. R. Tolkien para as telas ele optou por realizar um sonho ainda mais antigo seu, que ele alimentava desde a infância: refilmar o clássico imortal King Kong, de 1933. Com um orçamento monstruoso (sem trocadilhos) e total liberdade criativa, Jackson conseguiu realizar um belíssimo filme. Além de mostrar mais uma vez seu enorme talento para dirigir atores (Adrien Brody, Jack Black e Naomi Watts estão maravilhosos, principalmente os dois últimos, mas o elenco é todo muito bem conduzido), o diretor ainda demonstra uma impressionante capacidade de manipular as emoções do público. King Kong envolve o espectador desde o primeiro minuto, o que torna quase impossível a tarefa de segurar as lágrimas no final, mesmo este já sendo conhecido, graças também ao belíssimo trabalho realizado na construção do personagem Kong. O monstro não é simplesmente uma criatura digital artificial criada para produzir cenas de ação espetaculares (apesar de elas existirem aos montes), ele possui uma personalidade quase humana e um carisma irresistível. Fica difícil não se apaixonar por ele. No fim, todos nós compreendemos Ann Darrow e choramos junto com ele no alto do Empire State Building.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 1:30 AM
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[Terça-feira, Dezembro 13, 2005]
As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe)
Dirigido por: Andrew Adamson
A série de livros As Crônicas de Nárnia (são 7), escrita por C. S. Lewis, é uma das obras mais importantes e cultuadas da literatura infanto-juvenil. Influenciou muito Harry Potter (J. K. Rowling já admitiu ser uma grande fã dos livros) e até mesmo O Senhor dos Anéis (que foi lançado 4 anos depois e cujo autor, J. R. R. Tolkien, era grande amigo de Lewis). Levar As Crônicas de Nárnia para o cinema era um grande desafio e quem o aceitasse deveria estar ciente da pressão que teria de agüentar, e isso acabou mantendo o projeto engavetado por muito tempo. O enorme sucesso das adaptações para o cinema de Harry Potter e, principalmente, de O Senhor dos Anéis, parece ter enfim despertado a coragem para enfrentar esse desafio. Andrew Adamson (responsável por Shrek e Shrek 2), o sujeito que assumiu a direção do primeiro longa da série, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, é um grande fã dos livros de Lewis, e isso ajudou muito na transposição deles para a tela grande. O tão aguardado filme, é incrivelmente fiel ao livro, são pouquíssimas alterações. E, mesmo as alterações que são feitas só serviram para melhorar a história. Dois exemplos são o excelente prólogo incluído por Adamson, que mostra a destruição da 2ª Guerra Mundial em Londres e a fuga da família Pevensie para o interior e a batalha entre as tropas de Aslam e Jadis, que não é descrita no livro (apenas citada) e que acaba sendo o melhor momento do filme. As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é um filme feito principalmente para os fãs de C. S. Lewis, que vão sair do cinema com um largo sorriso no rosto, mas que também funciona para o público geral, o que deve garantir o surgimento de uma nova franquia de longas de fantasia no cinema. Algo que, para nós que estávamos órfãos desde que Frodo destruiu o Um Anel, é maravilhoso.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 1:16 AM
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[Quinta-feira, Dezembro 08, 2005]
O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose)
Dirigido por: Scott Derrickson
Depois que a obra-prima do terror O Exorcista se tornou um fenômeno, na década de 70, filmes que exploram o mesmo tema foram feitos aos montes em Hollywood, nenhum, porém, trazendo novidades ao gênero e nem alcançando o mesmo sucesso do longa de William Friedkin (falo inclusive das fracassadas continuações de O Exorcista e de sua recente prequel, igualmente fracassada). O maior mérito desse O Exorcismo de Emily Rose é justamente trazer algo de novo aos filmes desse tipo, no caso um elemento secular, ou seja, uma visão mundana de um caso de exorcismo. E não há nada mais secular que a justiça dos homens. Como drama de tribunal, portanto, O Exorcismo de Emily Rose funciona muito bem, buscando colocar em discussão um assunto complexo e polêmico com serenidade, amparado pelos sempre competentes Laura Linney, Campbell Scott e Tom Wilkinson. Já como filme de terror, o diretor Scott Derrickson não consegue repetir o feito. Ainda que as cenas de exorcismo sejam muito bem feitas e que a jovem Jennifer Carpenter se revele uma boa atriz, Derrickson não consegue em momento algum causar medo real no espectador, apenas dar alguns sustos bem dados. Fica, portanto, um filme de certe forma desequilibrado, irregular. Mas que tem seu valor por trazer, pela primeira vez, uma discussão tão fascinante para um âmbito novo.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 2:37 AM
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[Domingo, Dezembro 04, 2005]
Nos cinemas:
O Galinho Chicken Little (Chicken Little)
Dirigido por: Mark Dindal
No ano passado, com o lançamento de Nem Que a Vaca Tussa, a Disney anunciou que se encerrava ali a fase das animações tradicionais e começava a era das animações digitais do estúdio (vale lembrar que filmes como Monstros S. A., Toy Story, Procurando Nemo e Os Incríveis levam a logomarca Disney, mas foram feitos em parceria com a Pixar). E O Galinho Chicken Little é o primeiro lançamento dessa era. Entretanto, o filme só é inovador mesmo nesse aspecto técnico: não há nada de novo em sua história, que acaba sendo um amontoado de clichês e esteriótipos. Não há nenhum resquício do humor ácido dos filmes da Pixar e o diretor e roteirista Mark Dindal parece achar que basta encher o longa com referências cinematográficas para transformá-lo em algo inteligente e engraçado, o que é um erro tremendo. A Disney entrou com o pé esquerdo no mundo das animações digitais com esse O Galinho Chicken Little e, com o fim da parceria com a Pixar se aproximando, parece que se aproxima também o fim da vida inteligente no estúdio.
Cidade Baixa
Dirigido por: Sérgio Machado
Cidade Baixa representa, em muitos aspectos, uma evolução no cinema brasileiro. O principal deles talvez seja a opção de seu diretor, Sérgio Machado, em voltar seu foco para uma história intimista, sem a pretensão de compreender o povo brasileiro como um todo, como se vinha fazendo desde o início da retomada, confirmando uma tendência do nosso cinema em, cada vez mais, optar pelo micro em detrimento do macro. Mas há também outros fatores que fazem de Cidade Baixa um filme marcante: há a confirmação definitiva de Wagner Moura e Lázaro Ramos - demonstrando uma química invejável - como dois dos maiores talentos surgidos no Brasil, há um estonteante Alice Braga, também confirmando seu enorme talento e mostrando que Cidade de Deus não foi um acidente e há ainda a Bahia que o resto do país não conhecia, filmada com brilhantismo por Machado. Portanto, aos poucos, o cinema nacional vai crescendo, vai se desprendendo de dogmas e da necessidade de conquistar prêmios internacionais (ainda que isso ainda exista de maneira muito forte no Brasil) para construir um cinema com identidade própria, um cinema adulto e de qualidade nunca antes alcançada por aqui. E Cidade Baixa deu sua contribuição para esse crescimento.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 1:12 AM
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[Sábado, Novembro 26, 2005]
Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire)
Dirigido por: Mike Newell
Felizmente, Harry Potter parece ter se livrado definitivamente da mediocridade do diretor Chris Columbus, responsável pelos dois primeiros longas da série, que não demonstrou possuir o mínimo de coragem e personalidade para realizar mudanças necessárias na transposição das obras de J. K. Rowling para o cinema, o que transformou Harry Potter e a Pedra Filosofal e, principalmente, Harry Potter e a Câmara Secreta em filmes um tanto cansativos. Após o excepcional trabalho realizado por Alfonso Cuarón no terceiro longa da série, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, é a vez de Mike Newell (diretor de filmes tão diferentes como Quatro Casamentos e Um Funeral e Donnie Brasco) assumir a direção. E ele se mostra disposto a dar continuidade ao trabalho de Cuarón, fazendo de Harry Potter e o Cálice de Fogo um filme com um tom assustadoramente sombrio e melancólico, ao mesmo tempo que imprime ao mesmo um ritmo frenético, que não deixa o espectador se desligar por um segundo que seja da história. Contando com um elenco inspirado, que se mostra cada vez mais entrosado e que ganha a adição de atores excepcionais como Brendan Gleeson e Ralph Fiennes (roubando a cena como Voldemort), Harry Potter e o Cálice de Fogo é a prova cabal de que, assim como seu protagonista, a série Harry Potter vem amadurecendo cada vez mais.
Crash - No Limite (Crash)
Dirigido por: Paul Haggis
Quem somos nós ? Somos homens bons por natureza, tentando sempre melhorar ou somos seres condicionados socialmente, animais nem tão racionais que, vivendo numa sociedade em que cada vez mais a competição e o individualismo são estimulados e onde o abismo existente entre nós só faz aumentar, simplesmente reagimos a estímulos ? Esse excepcional Crash, escrito e dirigido por Paul Haggis (roteirista do igualmente fabuloso Menina de Ouro), defende claramente o segundo ponto de vista e, à partir dele, traça um painel assustadoramente real do preconceito racial existente na cidade de Los Angeles (mas o painel vale para toda a sociedade norte-americana e, provavelmente, para todos nós, seres humanos), com um elenco afinado (Matt Dillon, Michael Peña e, principalmente, Terrence Howard, estão maravilhosos !) interpretando personagens, acima de tudo, humanos e, portanto, falíveis, em pequenas histórias que se cruzam no melhor estilo Magnólia ou Short Cuts. Haggis não tem a pretensão de responder àquela pergunta de forma definitiva e absoluta e muito menos de dar uma solução para os problemas mostrados no filme. O intuito de Crash é fazer-nos olhar no espelho, refletir sobre para onde estamos levando nosso mundo. As soluções, somos nós quem precisamos descobrir.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 1:35 AM
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[Domingo, Novembro 20, 2005]
Nos cinemas:
O Senhor das Armas (Lord of War)
Dirigido por: Andrew Niccol
Recentemente, o Brasil passou por um conturbado processo de consulta popular, em que votou-se a proibição ou não da comercialização de armas de fogo. Em meio a campanhas apelativas, hipócritas e confusas, a desconfiança da população falou mais alto e o NÃO venceu. No fim das contas, tendo em vista o caos da segurança pública brasileira, talvez o resultado mais significativo do referendo tenha sido a discussão proporcionada sobre o assunto. Esse O Senhor das Armas, se tivesse sido utilizado nessa discussão, provavelmente ela teria sido muito mais proveitosa. Isso porque o filme dirigido pelo ótimo Andrew Niccol (roteirista de O Show de Truman e diretor de Gattaca - Experiência Genética e Simone) é muito mais informativo e inteligente do que as campanhas do SIM e do NÃO juntas. Niccol escancara o mundo do tráfico internacional de armas de forma impressionante e extremamente irônica, acertando em cheio, com o perdão do trocadilho, nos verdadeiros beneficiários de toda essa gigantesca indústria do crime: as grandes corporações e os governos dos países mais ricos do globo. Contando com um desempenho na medida certa de Nicolas Cage e com um elenco de coadjuvantes de peso (Jared Leto, Ethan Hawke, Ian Holm e Bridget Monahan),O Senhor das Armas é um filme impactante, envolvente e tristemente engraçado, que deixa no espectador uma sensação ao mesmo tempo de indignação e impotência com o que é mostrado na tela. Algo bem parecido com o que a ineficiência do referendo provocou na população brasileira.
Jogos Mortais 2 (Saw II)
Dirigido por: Darren Lynn Bousman
Filmes de terror que fazem sucesso de bilheteria ganharem continuações já virou regra em Hollywood. Era portanto inevitável que o ótimo Jogos Mortais escapasse dessa sina. A rapidez com que isso aconteceu, no entanto, chega a espantar (o longa original foi lançado nos EUA no ano passado mas chegou ao Brasil somente nesse ano) e mostra como o cinema norte-americano se preocupa cada vez mais com o lucro ao invés da qualidade artística, o que é uma pena. No entanto, há de se fazer um adendo: apesar de Jogos Mortais 2 ter sido produzido à toque de caixa, na esteira do sucesso do primeiro filme, o longa surpreende por sua qualidade. Era de se esperar um filme que não tivesse praticamente nenhuma ligação com o original (e a ausência de quase todo o elenco do mesmo reforçava essa idéia), que se preocupasse apenas em mostrar o assassino JigSaw em busca de novas vítimas, algo que, na maior parte de Jogos Mortais 2, parece ser verdade. Mas, conforme a história avança, a inteligência do roteiro começa a vir à tona e é quando percebemos o quanto os dois filmes estão interligados. Com um final cruel e surpreendente (assim como acontecia no primeiro filme) e que deixa uma enorme brecha para mais uma continuação, o terceiro episódio da série parece inevitável. E, do jeito que Hollywood funciona, ele não deve demorar muito a chegar aos cinemas. Resta-nos torcer para que, ao menos, a qualidade seja mantida.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 9:24 PM
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[Quinta-feira, Novembro 17, 2005]
PRIMEIRO PLANO - FESTIVAL DE CINEMA DE JUIZ DE FORA (4ª edição)
Esse é um festival que, apesar de já estar em sua 4ª edição, agora é que começa a ter mais destaque, a atrair mais público e a chamar mais atenção da mídia. O Primeiro Plano exibe curtas e longas de diretores estreantes, sendo que apenas os curtas entram em competição. Infelizmente, não pude assistir à maior parte dos filmes, assisti a apenas 3 longas. Foram eles:
A Máquina
Dirigido por: João Falcão
Dom Helder Câmara, O Santo Rebelde
Dirigido por: Érika Bauer
Ódiquê ?
Dirigido por: Felipe Joffily
A Máquina é um belo filme, que traz uma história que, se no fim das contas é bastante simples (trata basicamente do amor vencendo barreiras), usa dos mais variados artifícios, como viagens no tempo, para se fazer contar. Há uma poesia e um lirismo que transbordam no longa e que são responsáveis, junto com o fantástico elenco (Paulo Autran dá um show de interpretação) , pela enorme identificação do espectador com os personagens. Não é um filme perfeito, mas é uma excelente estréia de João Falcão na direção.
Extremamente empolgante e envolvente (e aí talvez por culpa mais da trajetória do próprio Dom Helder do que por mérito da diretora Érika Bauer), Dom Helder Câmara, O Santo Rebelde é mais uma mostra de como a produção de documentários no Brasil está avançada, de como esse gênero vem crescendo cada vez mais no país e produzindo exemplares de grande qualidade. Um filme maravilhoso sobre um sujeito excepcional.
Ódiquê ? traça um retrato assustador da juventude suburbana carioca (e por que não brasileira como um todo ?), regado à drogas e violência desmedida, com um elenco que, apesar de parecer estar improvisando em muitos momentos, dá conta do recado (o maior destaque é, surpreendentemente, um incontrolável Cauã Reymond). Falta, porém, um roteiro um pouco melhor, tendo em vista que praticamente não há arco dramático no filme, o que acaba deixando uma sensação de vazio no espectador. Mas é um desconcertante puxão de orelhas em nossa sociedade.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 1:57 AM
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[Domingo, Novembro 13, 2005]
Os últimos 10 filmes que vi em casa:
O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy)
Dirigido por: Garth Jennings
A Outra Face da Raiva (The Upside of Anger)
Dirigido por: Mike Binder
Reencarnação (Birth)
Dirigido por: Jonathan Glazer
Jogo Subterrâneo
Dirigido por: Roberto Gervitz
Lavoura Arcaica
Dirigido por: Luiz Fernando Carvalho
Bye Bye Brasil
Dirigido por: Cacá Diegues
Rocky IV (idem)
Dirigido por: Sylvester Stallone
Rocky V (idem)
Dirigido por: John G. Avildsen
Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)
Dirigido por: Eric Bress e J. Mackye Gruber
Donnie Darko (idem)
Dirigido por: Richard Kelly
O Guia do Mochileiro das Galáxias é uma ótima comédia que, apesar das alterações em relação a obra original, mantém seu humor non-sense ao estilo Monty Python e acaba conseguindo agradar a fãs e não-fãs. Muito divertido.
A Outra Face da Raiva é um belo drama, de simplicidade e maturidade impressionantes e com um elenco fantástico, encabeçado por Joan Allen e Kevin Costner em atuações impressionantes e ainda esbanjando química. Uma pequena jóia a ser descoberta.
Quem espera ver um bom drama, sereno, inteligente e com um bom elenco, mas que não traz nada de novo, Reencarnação é uma boa pedida. O problema é que o filme foi vendido erroneamente como thriller sobrenatural, o que pode provocar decepções. Mas é um bom filme
Jogo Subterrâneo e Lavoura Arcaica são dois exemplos de como o cinema brasileiro pode ser grande, como somos capazes de produzir obras relevantes, de qualidade e não apelativas. Porém, são dois filmes muito diferentes. Enquanto o primeiro é um ótimo representante do cinema urbano nacional (ainda que adaptado de um conto argentino) que busca simplesmente contar uma pequena história, sem grandes ambições, com a ajuda de um ótimo elenco que entrega atuações contidas, o segundo é um tanto mais ambicioso: Lavoura Arcaica é uma verdadeira odisséia pelos sentimentos mais profundos do ser humano, uma adaptação quase literal da obra homônima de Raduan Nassar lotada de poesia, belíssimas imagens, metáforas e atuações carregadas e estupendas de Selton Mello e, principalmente, Raul Cortez.
Já Bye Bye Brasil é um grande clássico do nosso cinema. Uma história singela sobre as mudanças em nosso país e como elas afetam o povo brasileiro. Um belíssimo retrato do Brasil com ótimos desempenhos de José Wilker, Fábio Jr. e Betty Faria.
Rocky IV é uma lástima. Se ainda havia alguma dignidade nessa série, Stallone tratou de jogá-la no lixo com esse filme. Tudo bem que a saga de Rocky Balboa era, desde o início, uma história de exaltação do sonho americano, mas em Rocky IV Stallone chega ao limite, transformando seu personagem mais popular em propaganda do governo Reagan. Uma escolha lamentável que John G. Avildsen, diretor do primeiro Rocky, tentou consertar em Rocky V, mas não conseguiu totalmente. Ele tenta retomar a atmosfera mais intimista do longa de 1976, o que é muito bom, mas é impossível ignorar o ocorrido no filme anterior. Mas Rocky V é, ao menos, "assistível".
Efeito Borboleta e Donnie Darko são dois filmes excepcionais, extremamente originais e surpreendentes e, de certa forma, bastante parecidos. Mas, enquanto o primeiro ainda se prende um pouco ao estilo hollywoodiano de fazer cinema, o segundo não tem nenhum pudor em caprichar na atmosfera dark, no clima intimista e em se posicionar como crítico ácido da sociedade norte-americana. Mas são dois filmaços.
Melhor: Lavoura Arcaica e Bye Bye Brasil
Pior: Rocky IV
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 7:22 PM
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[Terça-feira, Novembro 08, 2005]
Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown)
Dirigido por: Cameron Crowe
Já virou clichê dizer que a vida dá muitas voltas e que no caminho acontecem acidentes, encontros e desencontros pelos quais não se esperava e que acabamos sendo obrigados a consertar. Tudo Acontece em Elizabethtown é sobre isso, sobre essas coisas inusitadas da vida, sobre reparar erros do passado e, no fim das contas, seguir em frente. Nesse ponto, a trajetória de Cameron Crowe, responsável por pérolas como Jerry Maguire e Quase Famosos, se confunde com a trama de seu filme (algo aliás, bem comum na sua carreira). Há 4 anos atrás, Crowe dirigiu uma bobagem chamada Vanilla Sky, e desde lá sumiu. Muitos questionaram seu talento. Agora, com Elizabethtown, ele volta para mostrar o quanto foi injustiçado, entregando um longa de sensibilidade ímpar, com diálogos primorosos, algumas sacadas geniais e ainda arrancando atuações excepcionais de Orlando Bloom (sim, isso é possível !) e Kirsten Dunst. Assim como Drew Baylor, personagem de Bloom no filme, Cameron Crowe levantou a cabeça após o fracasso (ou seria fiasco ?), consertou os erros do passado e agora está pronto para seguir em frente em sua brilhante carreira. Fazer o que se a vida às vezes é tão clichê ?
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 12:29 AM
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[Quarta-feira, Novembro 02, 2005]
A Noiva-Cadáver (The Corpse Bride)
Dirigido por: Tim Burton e Mike Johnson
2005 parece ser mesmo o ano de Tim Burton. Depois da fenomenal adaptação de A Fantástica Fábrica de Chocolate, o diretor se une novamente a Johnny Depp (já é a 5ª vez que trabalham juntos) em A Noiva-Cadáver, para contar uma deliciosa fábula em stop-motion, mais de dez anos depois de ter produzido o agora cult O Estranho Mundo de Jack. Apesar da curta duração e de alguns clichês inevitáveis, o filme acerta em cheio em muitos aspectos: há algumas piadas geniais, e o elenco de vozes foi muito bem escolhido, mas o que chama mais atenção em A Noiva-Cadáver é a genial subversão realizada por Burton na concepção de mundo dos mortos e mundo dos vivos. Através, principalmente, do uso das cores, o diretor mostra o primeiro como um lugar alegre, divertido e extremamente colorido, enquanto o segundo é monocromático, com um tom gótico e melancólico. Uma ousadia bem característica de Burton, um diretor de suma importância para o cinema contemporâneo, que vive seu auge ao mesmo tempo que alcança, definitivamente, a maturidade.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 3:45 AM
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[Quarta-feira, Outubro 19, 2005]
O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener)
Dirigido por: Fernando Meirelles
Assim como Walter Salles, que estreou em Hollywood recentemente com o ótimo Água Negra, Fernando Meirelles, mais cedo ou mais tarde, iria para o cinema norte-americano. O fato de ser o responsável por Cidade de Deus, um filme que marcou profundamente o cinema nacional e que fez muito barulho no exterior, garantia ao diretor esse destino. E, novamente assim como aconteceu com Salles, Meirelles optou por estrear lá fora com um projeto, ao menos a primeira vista, de estúdio: O Jardineiro Fiel é a adaptação de um best-seller de espionagem escrito por John Le Carré (O Alfaiate do Panamá). E, (prometo que é a última vez) novamente como aconteceu com o diretor de Central do Brasil e Diários de Motocicleta, fomos pegos de surpresa. Meirelles transforma uma trama que poderia facilmente se tornar entretenimento barato baseado em correria desenfreada num longa com conteúdo, com substância. O Jardineiro Fiel consegue, de maneira impressionante, equilibrar com perfeição thriller, romance e crítica social e traz desempenhos fabulosos de Ralph Fiennes e Rachel Weisz (provavelmente os melhores de suas carreiras). Sem contar a belíssima fotografia e o brilhante trabalho de montagem. Uma pequena obra-prima.
Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm)
Dirigido por: Terry Gilliam
Os irmãos Jakob e Wilhelm Grimm estão entre os mais importantes escritores de todos os tempos: são os responsáveis por alguns dos maiores clássicos da literatura infantil, como Chapéuzinho Vermelho, Joãozinho & Maria, Rapunzel, entre outros. Terry Gilliam, sem exageros, está entre os mais importantes diretores da história do cinema, tendo dirigido longas como Brazil - O Filme, Os 12 Macacos e O Pescador de Ilusões, sem contar os filmes de sua fase no Monty Python, algumas das melhores comédias já produzidas. Portanto, ter Gilliam fazendo um filme sobre a vida dos Grimm é certeza, não só de qualidade, como de originalidade. E, por mais que os 7 anos afastado do cinema pareçam ter enferrujado Gilliam um pouco, Os Irmãos Grimm atende às expectativas criadas em torno dele. Heath Ledger e Matt Damon possuem uma química fantástica, os coadjuvantes, especialmente Peter Stormare, dão show e o diretor mostra que ainda sabe arrancar gargalhadas do público com piadas inteligentes e non sense que, inevitavelmente, remetem aos tempos de Monty Python. Os Irmãos Grimm pode não chegar ao nível das obras- primas já produzidas por Gilliam, mas é, sem dúvidas, uma das melhores comédias do ano.
por WALLACE ANDRIOLI GUEDES * 1:46 AM
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